Oi gente,
Eu queria dividir com vocês a reportagem que o meu marido veio me mostrar com uma certa indignação própria de recém-papai que eu achei linda! Trata-se de uma
reportagem da CNN que basicamente relata a decisão de algumas mulheres por volta dos 30 anos de passar a vida sem ter filhos e afirmando que existem pesquisas que confirmam que ter filhos não traz felicidade. (!!!! O que??? Terror, pânico, descabelamento !!!!)
Sim, num primeiro momento foi bem essa a minha reação, pensei: "Como? Que absurdo falar uma coisa dessas? Aposto que quem afirma que filho não traz felicidade no mínimo não tem um gorducho fofo que nem o meu Antonio!", mas depois de reler e pensar um pouco sobre a reportagem eu percebi que como muitos casos, este é mais um que tem inúmeras variáveis a serem analisadas.
Primeiro: depois de ter o Antonio eu tenho que concordar com a reportagem que diz que filho não é para qualquer um. E não é mesmo! Filho é para quem se compromete e está pronto para se doar de corpo e alma para este ser, que apesar de micro vai ocupar todos os momentos das 24hrs do seu dia - mesmo que seja só em pensamento. Para colocar filho no mundo tem que estar preparado para abrir mão não só das noites bem dormidas, mas da sua vida inteira, pois a gente deixa de viver pela gente e passa a viver por eles também. E eu acredito que efetivamente tem gente que não tem dentro de si a capacidade ou simplesmente a vontade de aceitar essas mudanças na vida. Aliás, muito melhor não ter filho se não tiver disposição para aceitar essas mudanças. Não há nada pior do que ver criança emocionalmente órfã de pais mesmo os tendo fisicamente.
Segundo: eu acredito que existam pessoas muito felizes com a decisão de não ter filhos. Eu fui muito feliz antes de ter o Antonio na minha vida (tudo bem, hoje me considero infinitamente mais feliz) mas o que eu quero dizer é que ter filho não é condição para felicidade. As pessoas são sim diferentes umas das outras, o que me faz feliz pode entristecer o meu vizinho. A necessidade (física e emocional) que eu senti de ter um filho pode simplesmente não aflorar em muitas mulheres. Tudo bem, acho que o autoconhecimento é o melhor caminho para saber se um filho lhe trará ou não felicidade.
Terceiro: mas eu discordo em gênero, número e grau das afirmações simplistas e superficiais apresentadas pela reportagem de que filhos proporcionam uma vida cheia de stress e preocupação, aumento de custos e perdas pessoais e profissionais. Ter filhos é muito mais do que isso! Ter filhos é uma experiência única que proporciona um crescimento, um aprendizado e uma realização pessoal impossível de se conseguir de qualquer outra forma, isso é fato! Acho que não consigo colocar em palavras com exatidão o sentimento de ter nos braços uma vidinha que saiu de você... realmente não tem como explicar. É uma felicidade insana, uma alegria que transborda, um verdadeiro milagre!
Acho que o grande erro da reportagem é tomar como referência a distorcida noção de que ou se tem uma vida feliz ou não. Explico-me: acredito que a felicidade não é uma constante, e sim momentos que vêm e vão, ninguém é feliz o tempo todo! A gente tem dias bons e dias ruins, pode ter uma manhã deliciosa cheia de beijos e carinhos com o seu filho, e ter uma noite de cão levando um baile quando ele decide não dormir. E tudo na vida não é assim? Tudo tem dois lados (por vezes três ou quatro...), poucas coisas são completamente boas ou completamente ruins. O grande segredo é ter mais momentos felizes do que tristes, né? Discordo da reportagem por ela considerar a felicidade um conceito absoluto. A felicidade é relativa, subjetiva e difere de pessoa para pessoa, portanto é impossível dizer que quem tem filhos é menos ou mais feliz do que quem não os tem. Quem tem filho querendo e preparado para a maternidade/paterninade é sim muito, incrivelmente feliz (acredito que muito mais do que quando não tinha filho). E quem não tem disposição para isso pode e deve sim buscar ser imensamente feliz da forma que melhor lhe convir.
Mas como a vida é cheia dessas coisas engraçadas, um dia depois de ler essa reportagem e refletir muito sobre o assunto eu recebo um email com um texto de autor desconhecido, desses que são repassados infinitamente, e que eu achei que cabia incluir nesse post, ele diz:
Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.
Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você acha que eu deveria ter um bebê?'
Vai mudar a sua vida', eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.
'Eu sei', ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .'
Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela.
Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos.
Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.
Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?'
Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar.
Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.
Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa a quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzi-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote.
Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.
Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade.
Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê.
Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.
Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina.
Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.
Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma.
Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho.
Que ela aprenderá a dar o verdadeiro valor a sua mãe.
Saberá que uma noite tranquila não significa que foi dormida por inteiro;
Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida - não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.
Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.
O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas. Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras e o preconceito.
Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.
Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez.
Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.
'Você jamais se arrependerá', digo finalmente.
Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados.
Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe.'
Autor Desconhecido
Bem, se você está pronta e aberta para esse turbilhão de emoções - boas e ruins - então acredite, ter um filho vai fazer de você SIM uma pessoa muito mais feliz.