Então é chegada aquela fatídica hora quando vai rolar a primeira viagem em família. Na verdade eu já tinha viajado com o Antonio, inclusive para fora do país, mas naquela ocasião nós estávamos em maioria... era eu e o Bernardo contra o pequeno (e ainda tinha a minha mãe de lambuja para dar uma bela ajuda). Dessa vez estávamos numa situação mais equilibrada: fomos eu, o Antonio, o Henrique e a "None"- a babá... o Bernardo chegaria só alguns dias depois.
A loucura já começou na arrumação de malas. Estávamos indo para um resort que eu nunca tinha ido e o qual eu não sabia direito a que distância de um supermercado/farmácia/civilização ele se situava. Então qual foi a minha conclusão??? Leva tudo, ué! E nesse leva tudo, meia mala foi de fraldas (mais especificamente um pacote de 56 unidades para o Henrique e um pacote de 48 para o Antonio), roupa de cama para o Henrique, banheira desmontável para os dois, bóia (vazia, claro!), brinquedos, bombinha para tirar leite (pois eu tinha um casamento para ir no meio da viagem), máquina para aquecer mamadeira, medicamentos para todas as possíveis doenças que eles viessem a contrair e mais uma infinidade de coisas que resultaram em um belo excesso de peso. (Lição n. 01: é mais barato pagar a fralda vendida a preço de ouro na lojinha do resort do que o maldito excesso de peso! Ah, e é claro, se informar sobre o que terá ou não disponível para facilitar a sua vida).
Para o dia da viagem calculamos um horário com uma folga razoável para sair de casa, malas prontas, documentos a postos mas ainda assim, óbvio, nos atrasamos e chegamos nos descabelando no aeroporto. (Lição n.02: sempre, sempre calcule duas horas a mais do que o horário que você acredita ser razoável para sair de casa quando viajar com crianças, pois, na hora de sair elas vão, invariavelmente, fazer um cocô que vaza por tudo, depois de sentadas na cadeirinha vão chorar porque esqueceram o Mickey sem o qual elas não conseguem dormir e mesmo os menorzinhos que parecem inofensivos vão regurgitar por toda a roupa limpinha que você tinha acabado de colocar, te obrigando a voltar e trocar tudo.)
Apesar do atraso conseguimos embarcar, e já na sala de embarque eu comecei a perceber os olhares dos outros passageiros que aguardavam para embarcar no mesmo vôo. Estes se dividiam em olhares de pena por me verem ali, descabelada com dois bebês, dois carrinhos de bebês, três bolsas (a minha, a de fraldas e a de brinquedos), e os incontáveis paninhos para limpar o ranho, o vômito e demais fluidos que as crianças não se cansavam de expelir. E olhares de terror, furtivamente espiando o meu cartão de embarque para tentar, desesperadamente, sentar o mais longe possível de mim e meus dois pestinhas, os quais com toda a certeza iriam, em algum momento, abrir um berreiro durante o vôo.
Durante o vôo não deu outra: Antonio chorou porque tinha que ficar sentado olhando para a cadeira da frente até que o avião finalmente decolasse e ele pudesse assistir a Galinha Pintadinha no dvd portátil (aliás item imprescindível para a viagem, acho que até mais do que as fraldas); o Henrique chorou porque apesar da chupeta, do peito e de todos os artifícios na hora da decolagem, o ouvidinho doía com a pressão, e eu ali, com a maior cara de paisagem, porque nessas horas simplesmente não tem o que fazer. É contar com o bom senso e paciência dos que estão a sua volta e pensar internamente que você já aguentou trocentos choros de filhos alheios em outros vôos e que agora é a hora do mundo aguentar os choros dos teus filhos também, oras bolas! Mas confesso que a decolagem foi o momento mais tenso, durante o vôo os dois terroristinhas até que se comportaram como gente e eu me orgulhei deles. (Lição n.03: quando viajar com crianças, fica a dica que uma amiga
deixou no facebook, distribuir balas e plugs de ouvido para os vizinhos
de cabine, pode evitar muita cara feia!)
Quase na chegada o Henrique, que tinha mamado no começo do vôo, me faz um cocô, mas um cocô daqueles de fazer barulho, sabem? E não deu outra, eu não podia ir no banheiro trocar e ele, que odeia ficar sujo começou a chorar desesperadamente, porque daí juntou o cocô com a dor de ouvido da aterrisagem, e então foi o caos! Chorava sem parar e como a gente estava sentada no meio do avião, quando ele parou formou aquela fila quilométrica de passageiros querendo desafiar a lei da física e fazer caber vários corpos em um só lugar no espaço. Eu naquela situação do cão, com a criança se esguelando no colo, nenhuma possibilidade de trocar a fralda e para ajudar o Antonio começa a chorar com medo de se perder no meio daquele povo todo, querendo sair do colo da babá e vir para o meu. Não deu outra, catei as bolsas, a babá e o Antonio, fui pedindo licença, carregando o Henrique acima da minha cabeça para conseguir sair daquele inferno o mais rápido possível e tal qual Moisés, fui abrindo passagem em meio aquele mar de gente. (Lição n.04: em momentos como esse esqueça os bons modos, use e abuse dos seus direito de "pessoa com bebê de colo", yes you can!).
Já na sala de desembarque, enquanto esperávamos as malas, fui procurar um banheiro, mas como nesses momentos a Lei de Murphy impera, a fila do banheiro virava a esquina e o banheiro era micro, não havendo a menor possibilidade de trocar a criatura naquele lugar. Conclusão: vamos trocar a criança no carrinho mesmo. Só que como perrengue pouco é bobagem, eu não me "apercebi" que o cocô tinha efetivamente vazado por tudo, então na hora em que eu tirei o body do Henrique milhares de microbolinhas de cocô se espalharam pelo carrinho, costas e pela cabeça da criatura!!! Pensem numa pessoa desesperada, essa era eu nesse momento! Mas a tragédia não pára por aí. Neste momento adentra a sala de desembarque os meus parentes, os pais da noiva cujo casamento iríamos durante a viagem. Chiquérrimos, elegantes, finos (sabe aquelas pessoas que viajam de roupa branca de linho e chegam ao destinho sem nenhum amassadinho, carregando só uma malinha de mão? Pois é, esses mesmos!) E eu lá, completamente desgrenhada, com um filho literalmente com cocô na cabeça, o outro parecendo uma jibóia querendo sair do carrinho e a babá quase morrendo para tirar as arcas da esteira. Eles muito educados oferecendo ajuda, querendo ver o bebezinho fofo (mesmo com cocô na cabeça), e eu só pensava em abrir um buraco na terra e me enfiar dentro, levando claro, o filho jibóia e o com cocô na cabeça! Enfim, acabou que eu limpei o Henrique do jeito que dava, com os paninhos úmidos (Lição n.05: nunca, jamais, em hipótese alguma esqueça os paninhos úmidos!!! Eles são pau para toda obra!), troquei a roupa, forrei o carrinho com o que tinha e lá fomos nós para uma agradável e divertida semaninha de férias.
Conclusão: viajar com crianças é cheio de imprevistos, nunca vai sair exatamente do jeito que você imagina. Esteja preparada para surpresas, seja prática (pelo menos tente) e mantenha o espírito esportivo, pois o sorriso e os momentos de alegria e diversão dos pequenos vão ficar para sempre na sua e na memória deles. Acreditem, vale cada perrengue!!!
Obs: Patricia Papp, se algum dia você ler este post, sim eu tenho e li o seu Crianças a Bordo. Mas acho que a perfeição só vem com a prática né... Vou me empenhar mais nas próximas viagens, as quais espero sejam muitas!!!