quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

MADA - Mães que amam demais anônimas

Então a gente se programa, organiza uma viagem para praia com os filhos e fica contando os dias para viver momentos maravilhosos só de cheiro com as crias. Para que tudo seja perfeito, a gente arruma toda a bagagem (praticamente uma mudança) que dois bebês demandam, carrega bicicleta, faz mercado, compra protetor solar de todos os fatores, estoque de fraldas (porque na praia é mais caro), boias das mais variadas formas e tamanhos, fica radiante quando da tia empresta o apê de frente para o mar, e lá se vai: a família feliz, para deliciosos dias no litoral (não muito belo, mas quem se importa?) do Paraná.

Ah, um pequeno detalhe: como agora são dois filhotes, como a mamma e o papi não tiram férias desde setembro de 2011 e como a babá pegou folga no Natal e Reveillon, levamos a babá junto para que nós - também filhos de Deus - pudéssemos descansar um pouco.
Chegando lá tudo é festa, o filho mais velho ama a praia, rola na areia, caça siri, toma uma média de 4 a 5 picolés por dia, resolve que nunca mais vai usar sapatos na vida; o mais novo passeia muito de carrinho, fica na piscininha, molha os pezinhos no mar, respira ar puro, está mais livre, quase engatinhando...

Como as férias deveriam ser também um pouquinho para os pais, fica combinado que a babá sai com as crianças de manhã cedo para passear nos permitindo algumas raríssimas horas de sono, e na volta vamos todos em familia para praia curtir o dia. Até aí tudo bem, nada de anormal, não fosse o fato de que cada dia a (fofa) da babá chega contando alguma novidade mirabolante que os filhos fizeram e que "nossa, que pena que a senhora não estava lá pra ver ou tirar fotos!!! Perdeu!!!"

Isso aconteceu no pimeiro dia, no segundo dia, no terceiro dia além de eu querer afogar a babá no mar, às 6:45hrs da manhã eu já começava a fritar na cama, numa paranóia de que os meus filhos, os MEUS filhos, aqueles dois bebês que EU careguei por 9 meses, que saíram da MINHA barriga, que mamaram no MEU peito, que EU embalei noites e noites a fio até dormirem, iriam ter momentos de diversão e alegria dos quais EU não participaria!!!

Sim minhas amigas da blogosfera, é exatamente assim que a mente de uma mãe que ama demais funciona. Não sei quanto a vocês, mas eu não consigo negar o fato de que eu tenho MUITO ciúmes dos meus filhos, seja com a babá ou com qualquer pessoa que na minha cabeça insana de mãe possa ameaçar o amor que eles sentem por mim. E deixemos aqui uma coisa bem clara, ela é uma pessoa ótima! Super competente, carinhosa, responsável e gente boa mesmo. Afinal de contas, se ela não fosse certamente os meus filhos não gostaríam tanto dela, pois criança sente (quem é bom e quem não é)!

Enfim, fato é que eu gostaria de saber se a doida paranóica sou só eu ou vocês que estão me lendo também tem vontade de amarrar os filhos no pé da cama? (Existe um "MADA" para mães???)

Antes que vocês me respondam, deixem eu contar que o meu martírio nas tão planejadas férias-perfeitas-com-filhos não acabou por aí. Na metade dos dias que a gente ficou na praia a babá teve que voltar para Curitiba por uns dois dias para pagar umas conta e ver o marido. Daí eu pensei: OBA! Agora essa "roubadora de amor de filhos" não vai estar por perto e eu vou ter os meus amores inteirinhos só para mim!!!

Sim, eu tive eles só para mim, tive, claro, momentos deliciosos de passeios, brincadeiras, sorvetes, carinho, cheiros e risadas. Mas só para mim também eu tive todo o "trabalho braçal" que duas crianças exigem, tive também para mim todas as manhas e broncas, tive noites mal dormidas (que essas eu já tenho sempre) e manhãs com os dois pulando na minha cabeça, quando tudo o que eu queria era dormir só mais cinco minutinhos... Eu já estava quase me convencendo de que o meu ciúmes não tinha cabimento quando ela voltou... E quando ela voltou o Antonio fez uma festa tão grande, mas tão grande pra ela (se jogou no colo, beijou, abraçou, ficou gritando o nome, affff aquela coisa!!!) que a minha vontade foi de torcer o pescoço daquele cachorrinho vira-latas e colocar a cidadã no ônibus de volta para Curitiba! Como pode? EU sou a mãe, é para mim que ele deveria estar fazendo toda essa festa e algazarra!!! Eu só queria gritar: ELE É MEU, MEU, MEEEEEEEUUUUU!!! SUMA DAQUI!!!

Assim, amigas leitoras, divido aqui com vocês esses meus sentimentos malucos: por mais que eu saiba que a babá é uma pessoa ótima, que me ajuda a cuidar dos meus filhos e que está em nossas vidas (só de passagem) para permitir que eu tenha um pouco de vida própria depois de dois filhos, o ciúmes está lá, não consigo negar! Por mais que eu saiba que eu deveria estar feliz que meus filhos são capazes de amar e de demonstrar carinho por outras pessoas que lhe fazem bem, é impossivel não sentir. Por mais que eu saiba que EU sou a mãe e que o meu vínculo com os meus filhos é mais forte que pode haver entre duas pessoas, não consigo evitar! Consigo sim controlar este ciúmes, escondê-lo por entre os dentes, engoli-lo como um sapo coachante, mas eliminá-lo do meu coração não consigo. Não consigo porque os meus filhos são "partinhas" de mim e do Bernardo que eu tanto amo, são eles que fazem as nossas passagens por esse mundo ter sentido, que fazem os nossos dias mais iluminados, e nossas vidas completas. Portanto desisti de não sentir, só vou tomar cuidado para bem esconder!

E vocês, são seres mais evoluídos ou também sofrem com esse tipo de sentimento?

4 comentários:

  1. Maria Claudia, vou contar um pouquinho o que aconteceu comigo, a princípio, depois de tantas buscas e de ler e escutar tanta coisa sobre babás e estar bem de saco cheio com UMA empregada em casa,imaginando como seria com duas, acabei optando por não ter babá e ver como seria a minha relação de mãe, ainda mais, quando se trata de uma mãe de primeira viagem que não tem a mais mínima noção de nada.....pensei comigo mesma, se não der conta eu contrato, mas vamos a luta e ver como eu me saio.....e hoje mais do que nunca, vejo que a decisão de estar ao lado da minha pequena 24 horas e não dividir nenhum momento com uma babá foi a melhor escolha. Paro pra pensar como seria ter que compartilhar sorrisos, abraços e carinhos....e não sei se saberia administrar isso. SEndo assim, não ache que está sozinha no mundo com esse sentimento, eu partilho desse louco ciúme com você. Beijos

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  2. Isso acontece comigo também... Morro de ciúme da minha filha! Quando vejo ela se divertindo com outra pessoa, fico morrendo por dentro!!!É claro que fico feliz de ver minha filha alegre e se relacionando socialmente, mas ao mesmo tempo queria estar no lugar da pessoa! Não tenho babá exclusiva, apenas uma senhora maravilhosa que trabalha aqui em casa e fica com ela quando eu e meu marido estamos trabalhando. Foi uma luz ter achado a dona Irene, pois como moramos fora do Brasil(em NYC) queria uma pessoa que tivesse bem aquele jeitinho brasileiro, as outras babás aqui não sou muito afetuosas e carinhosas... Então, apesar de ser a MÃE, sempre fico com aquele ciuminho básico normal, que acho que toda mãe tem...
    PS: Tô apaixonada pelo seu blog!! Maravilhoso! Compartilhe mais e mais suas experiências, pois ajuda muitooooooo saber que não somos únicas passando por verdadeiros dilemas maternais hahaha!!! Bj grande
    Ca Viiperi

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  3. Oi Maria Claudia, tudo bom? Ao ler seu texto (aliás, sempre ÓTIMOS), lembrei de uma experiência que vivi, que foi quase quase insuportável! RS!!! Tive uma babá que se intitulou "tia" do Eduardo!!!! E ela falava: vem na "tia" ---!!!! Eu tinha verdadeiro pavor da situação e minha vontade era gritar: você NÃO é tia dele! Rsrsrs!!! Não sei se era ciúmes, mas graças a Deus ela ficou pouco tempo conosco (era ótima, super carinhosa e ele amava! Mas como era enfermeira, ficou apenas no primeiros meses).

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  4. Oi Claudia e demais mamães novinhas... bem, fico contente em saber que este blog é também para elucidar os corações e mentes desatentos, porque é muito triste para um filho, ainda mais um filho adulto uma mãe doente obsessiva e ciumenta que não quer dar espaço para o filho crescer e ser feliz longe da sua saia... Pensem bem em como estão criando suas crianças, voces não são donas de ninguém... falo isso como pessoa que foi muito infeliz na vida graças a uma educação castradora de uma mãe que me sufocou a vida inteira... ainda luto por me libertar das garras desse "amor" duentio que muito atrasou meu desenvolvimento pessoal e prejudicou muitas das minhas relações interpessoais e me deixou uma pessoa mais fraca diante da vida... falo isso como uma pessoa que tem quase 30 anos e teve que começar a fazer terapia por conta da mãe... por favor, orai e vigiai, não deixem que esse sentimento de posse destrua o futuro daqueles que voces dizem amar.... boa sorte e sucesso a todas...

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