Gente, segue abaixo o texto que eu escrevi sobre o primeiro dia de aula do Antonio.
Espero que gostem! ;)
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Acabo de voltar do primeiro dia de aula do meu filho e resolvi registrar essa experiência tão esperada e única. Mas depois de uma tarde num ambiente cheio de crianças, e em especial cheio de pais dessas crianças, achei mais interessante registrar o essa passagem do ponto de vista dos pais, e não do meu filho (este está registrado em milhares de fotos e para sempre no meu coração).
Com uma ou outra exceção daqueles que já estavam mais (d)escolados em “primeiro dia de aula” dos outros filhos, a maioria dos pais apresentava a mesma apreensão e curiosidade sobre a turminha do maternal. Para mim, na verdade, a tensão já começou antes da aula quando eu tive que escolher o modelitos para usar no fatídico dia. Qual é o traje adequado para se usar no primeiro dia de aula do seu filho? A gente sabe o que usar para uma reunião de trabalho, sabe como arrasar numa noite romântica, mas não acredito que ninguém tenha nunca incluído em nenhum manual de moda qual roupa usar numa data tão importante. Importante sim, afinal de contas aquela é a turminha que o seu filho vai conviver por pelo menos um ano (no caso do Antonio como a escola vai até o nono ano, serão os próximos 12 anos!!!) e aqueles vão ser os pais que você vai encontrar em pelo menos uns 10 finais de semana esse ano (nos aniversários), e nas reuniões de classe e nas datas festivas comemoradas pela escola. Eles vão ser como familiares - gostando ou não você vai ter que conviver. Um simples erro no traje e você poderá ser taxada de mãe-chata, a mãe-esnobe, a mãe-hippie e a pior possibilidade, a mãe-piranha! Por isso muito cuidado na hora de escolher o modelito, é muito importante causar uma ótima primeira impressão! Assim, algumas horas e muitas provas de roupa depois encontrei a combinação perfeita: despojada, sem ser desleixada, moderninha, sem ser doidona e mais importante, de sapatilha e de calça para poder deitar e rolar se preciso fosse.
Chegando na escola, o que ficou mais evidente foram as caras de nervosismo e insegurança (inclusive a minha) daquele grupo de pais que estavam prestes a deixar seus pequenos na escola. Acho que em suas cabeças pipocavam perguntas como: “Quem serão os amiguinhos dos meus filhos?” “Serão eles “bons elementos”?” “Qual desses pirralhinhos puxará o cabelo do meu filhote e lhe dará uma bela mordida no braço?” “Hummmm, aquele baixinho ali tem a maior cara de quem vai roubar o lanche da minha bonequinha...” “Será que eu posso deixar a minha princesa-criada-a-pão-de-ló em meio a esses mini-meliantes???”
Normal, vai gente... A escola é o segundo grande “desmame” pelo qual a criança, e principalmente as mães passam. É o primeiro grande passo na vida dos nossos filhos e o mais inequívoco sinal de que, sim, eles crescem!!! E como é duro encarar essa realidade, não? Como pode essas criaturinhas que até pouco tempo atrás só mamavam e faziam cocô, estar agora indo de mochila e lancheira para escola!!!??? Quem elas pensam que são para já sair assim todas cheias de si, fazendo novos amigos e deixando nós, as MÃES que lhes deram a vida, de lado!? (Talvez você não tenha tido exatamente esse pensamento no primeiro dia de aula do seu filho, mas acredite em algum lugar do seu inconsciente, em algum momento, essas reflexões insanas vão acontecer). Fato é que é ficou muito claro que este período de adaptação é importante tanto para a mãe, quanto para a criança. Senão vejamos:
A medida que as crianças desgrudavam das pernas dos pais (e aqui não posso falar só das mães, pois lá estava o time dos homens bravamente representado por dois pais - sim amigas, acreditem, eles existem!!!) e foram participar das atividades que a professora propunha, um grupo de algumas mães (incluindo eu) foi se formando e então começou o ti-ti-ti:
“- Ah, porque a minha filha dorme a noite inteira desde que tem 4 meses!”,
“- O meu filho não fala quase nada, já até levei na fonoaudióloga.”,
“- O meu filho já não usa fralda faz pelo menos uns 9 meses...”,
“- Já tentei de tudo, mas minha filha ainda continua na fralda...”,
“- Porque é um parto tirar a minha filha da frente da televisão...”
“- Meu filho só come banana e quiabo!”
Me respondam vocês leitoras, porque, durante toda uma tarde, nesta roda de mulheres esclarecidas e bem educadas não surgiu um único tema que não fosse os nossos filhos? Passamos aproximadamente 3 horas conversando e ainda assim fomos incapazes de perguntar os nomes umas das outras, nem nossas profissões, mas sabíamos exatamente a que horas os nossos filhos dormiam, o que jantavam e quantas vezes faziam xixi por dia. Incrível... vejo as mães constantemente reclamando que não têm vida própria, que sentem falta de um tempo só para elas, que precisam se ocupar com outros interesses, mas é se juntar com outras mães que não têm outro assunto: Filhos! Era óbvio, estávamos todas ainda completamente ligadas aos nossos pequenos, brigando pelo último fiapo de cordão umbilical que ali pudesse existir!!! Mas apesar de toda esta força que estávamos fazendo para não deixar os nossos pequenos escapar por entre os nossos dedos, uma coisa diferente foi acontecendo... De alguma forma, a medida que compartilhávamos experiências tão similares, foi crescendo uma espécie de cumplicidade entre aquelas mães desesperadas. Nós precisávamos nos adaptar a idéia de que nossos bebês estavam crescendo e esta “pseudo terapia em grupo” foi certamente um alento para os nossos corações. Ali descobrimos que nossos filhos, que passarão tantas horas juntos, dividem os mesmo interesses, têm os mesmos medos e até algumas manias iguais. “O meu filho passa para a minha cama toda noite, e o dela não dorme se não estiver na cama da mãe!”, “O meu filho jura que é o Mickey, e o dela tem certeza que é o Pocoyo!”, “A minha filha só dorme mamando e a dela ainda mama de madrugada!!!”. Enfim, nos descobrimos iguais em muitos aspectos e diferentes (e que bom enxergar novas perspectivas) em outros. Compartilhamos nossos receios e minimizamos as incertezas umas das outras. E aos poucos fomos perdendo o olhar inseguro e a feição desconfiadas e fomos vestindo sorrisos confiantes e dando lugar à alegria ao saber que não só fizemos a escolha certa quanto à escola, mas que principalmente nossos filhotes estarão em muito boa companhia nessa nova jornada.
E ainda que eu tenha derrubado algumas lágrimas ao sair da escola pensando que realmente não há como congelar o tempo e que definitivamente meu bebê cresceu, eu nunca vou esquecer as sábias palavras da minha mãe tentando me acalmar: “- Filha, ser mãe é isso... é ficar feliz quando a gente sabe que nossos filhos estão felizes, mesmo que a gente esteja com o coração despedaçado!”. E essa lição, só a escola da vida nos ensina.
Com uma ou outra exceção daqueles que já estavam mais (d)escolados em “primeiro dia de aula” dos outros filhos, a maioria dos pais apresentava a mesma apreensão e curiosidade sobre a turminha do maternal. Para mim, na verdade, a tensão já começou antes da aula quando eu tive que escolher o modelitos para usar no fatídico dia. Qual é o traje adequado para se usar no primeiro dia de aula do seu filho? A gente sabe o que usar para uma reunião de trabalho, sabe como arrasar numa noite romântica, mas não acredito que ninguém tenha nunca incluído em nenhum manual de moda qual roupa usar numa data tão importante. Importante sim, afinal de contas aquela é a turminha que o seu filho vai conviver por pelo menos um ano (no caso do Antonio como a escola vai até o nono ano, serão os próximos 12 anos!!!) e aqueles vão ser os pais que você vai encontrar em pelo menos uns 10 finais de semana esse ano (nos aniversários), e nas reuniões de classe e nas datas festivas comemoradas pela escola. Eles vão ser como familiares - gostando ou não você vai ter que conviver. Um simples erro no traje e você poderá ser taxada de mãe-chata, a mãe-esnobe, a mãe-hippie e a pior possibilidade, a mãe-piranha! Por isso muito cuidado na hora de escolher o modelito, é muito importante causar uma ótima primeira impressão! Assim, algumas horas e muitas provas de roupa depois encontrei a combinação perfeita: despojada, sem ser desleixada, moderninha, sem ser doidona e mais importante, de sapatilha e de calça para poder deitar e rolar se preciso fosse.
Chegando na escola, o que ficou mais evidente foram as caras de nervosismo e insegurança (inclusive a minha) daquele grupo de pais que estavam prestes a deixar seus pequenos na escola. Acho que em suas cabeças pipocavam perguntas como: “Quem serão os amiguinhos dos meus filhos?” “Serão eles “bons elementos”?” “Qual desses pirralhinhos puxará o cabelo do meu filhote e lhe dará uma bela mordida no braço?” “Hummmm, aquele baixinho ali tem a maior cara de quem vai roubar o lanche da minha bonequinha...” “Será que eu posso deixar a minha princesa-criada-a-pão-de-ló em meio a esses mini-meliantes???”
Normal, vai gente... A escola é o segundo grande “desmame” pelo qual a criança, e principalmente as mães passam. É o primeiro grande passo na vida dos nossos filhos e o mais inequívoco sinal de que, sim, eles crescem!!! E como é duro encarar essa realidade, não? Como pode essas criaturinhas que até pouco tempo atrás só mamavam e faziam cocô, estar agora indo de mochila e lancheira para escola!!!??? Quem elas pensam que são para já sair assim todas cheias de si, fazendo novos amigos e deixando nós, as MÃES que lhes deram a vida, de lado!? (Talvez você não tenha tido exatamente esse pensamento no primeiro dia de aula do seu filho, mas acredite em algum lugar do seu inconsciente, em algum momento, essas reflexões insanas vão acontecer). Fato é que é ficou muito claro que este período de adaptação é importante tanto para a mãe, quanto para a criança. Senão vejamos:
A medida que as crianças desgrudavam das pernas dos pais (e aqui não posso falar só das mães, pois lá estava o time dos homens bravamente representado por dois pais - sim amigas, acreditem, eles existem!!!) e foram participar das atividades que a professora propunha, um grupo de algumas mães (incluindo eu) foi se formando e então começou o ti-ti-ti:
“- Ah, porque a minha filha dorme a noite inteira desde que tem 4 meses!”,
“- O meu filho não fala quase nada, já até levei na fonoaudióloga.”,
“- O meu filho já não usa fralda faz pelo menos uns 9 meses...”,
“- Já tentei de tudo, mas minha filha ainda continua na fralda...”,
“- Porque é um parto tirar a minha filha da frente da televisão...”
“- Meu filho só come banana e quiabo!”
Me respondam vocês leitoras, porque, durante toda uma tarde, nesta roda de mulheres esclarecidas e bem educadas não surgiu um único tema que não fosse os nossos filhos? Passamos aproximadamente 3 horas conversando e ainda assim fomos incapazes de perguntar os nomes umas das outras, nem nossas profissões, mas sabíamos exatamente a que horas os nossos filhos dormiam, o que jantavam e quantas vezes faziam xixi por dia. Incrível... vejo as mães constantemente reclamando que não têm vida própria, que sentem falta de um tempo só para elas, que precisam se ocupar com outros interesses, mas é se juntar com outras mães que não têm outro assunto: Filhos! Era óbvio, estávamos todas ainda completamente ligadas aos nossos pequenos, brigando pelo último fiapo de cordão umbilical que ali pudesse existir!!! Mas apesar de toda esta força que estávamos fazendo para não deixar os nossos pequenos escapar por entre os nossos dedos, uma coisa diferente foi acontecendo... De alguma forma, a medida que compartilhávamos experiências tão similares, foi crescendo uma espécie de cumplicidade entre aquelas mães desesperadas. Nós precisávamos nos adaptar a idéia de que nossos bebês estavam crescendo e esta “pseudo terapia em grupo” foi certamente um alento para os nossos corações. Ali descobrimos que nossos filhos, que passarão tantas horas juntos, dividem os mesmo interesses, têm os mesmos medos e até algumas manias iguais. “O meu filho passa para a minha cama toda noite, e o dela não dorme se não estiver na cama da mãe!”, “O meu filho jura que é o Mickey, e o dela tem certeza que é o Pocoyo!”, “A minha filha só dorme mamando e a dela ainda mama de madrugada!!!”. Enfim, nos descobrimos iguais em muitos aspectos e diferentes (e que bom enxergar novas perspectivas) em outros. Compartilhamos nossos receios e minimizamos as incertezas umas das outras. E aos poucos fomos perdendo o olhar inseguro e a feição desconfiadas e fomos vestindo sorrisos confiantes e dando lugar à alegria ao saber que não só fizemos a escolha certa quanto à escola, mas que principalmente nossos filhotes estarão em muito boa companhia nessa nova jornada.
E ainda que eu tenha derrubado algumas lágrimas ao sair da escola pensando que realmente não há como congelar o tempo e que definitivamente meu bebê cresceu, eu nunca vou esquecer as sábias palavras da minha mãe tentando me acalmar: “- Filha, ser mãe é isso... é ficar feliz quando a gente sabe que nossos filhos estão felizes, mesmo que a gente esteja com o coração despedaçado!”. E essa lição, só a escola da vida nos ensina.
Meu filho começou a ir para a escola este ano. E senti-me exatamente como vc, na sexta passada: cheguei para buscá-lo, ele saiu correndo, gritando "manhê" e aí, no meio do caminho, parou na rodinha de amigos (eram 3 com idades de 1,5 ano à 3 anos) e ficou ali, gesticulando, falando a linguagem dele e dando risadas, contando que eu era a manhê!!! e esqueceu-se de mim, que fiquei só pensando: meu bebê cresceu!!!
ResponderExcluirOi Grazi,
ExcluirForça aí amiga!!! No fundo, no fundo a gente sabe que eles crescem e podem até estar longe de nós fisicamente, mas o vínculo mãe-filho é um dos mais fortes que existe, não é mesmo? Temos que pensar que também é bom dar lugar aos "novos filhinhos" em que eles vão se transformando dia após dia, experiência após experiência. Bjo
Lindo texto. Parabéns para essa mãe que além de sentir tudo isso , soube transcrever seus sentimentos mais profundos. É, admitir que o seu "bebê" cresceu é para poucos...é pra os "fortes".Nós mães tb sentimos tudo isso e eu me vi retratada aqui, mesmo que para mim já tenha acontecido há muitos anos, a sensação de deixar aquele serzinho com "estranhos", é de doer.
ResponderExcluirRute Silveira.
Rute,
Excluir(Nome lindo, da minha avó que eu amo tanto!) Que bom que você gostou do meu texto. Acho que esses momentos marcantes da vida dos nossos filhos ficam em nossos corações para sempre, não? E como eu disse para a Grazi no comentário acima, temos é mais que dar boas vindas às novas etapas de vida dos nossos pequenos, não é mesmo? Beijo